Josué Mendonça, 54, funcionário terceirizado, deixou o plenário depois de três horas de discurso; interruptor fica "do lado da bandeira", instruiu

NOVA YORK — Depois que praticamente todas as delegações abandonaram o plenário da Assembleia Geral da ONU durante o discurso do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, restou uma única alma disposta a escutar: Josué Mendonça, 54 anos, natural de Caruaru, funcionário terceirizado da empresa de limpeza que atende o edifício da ONU há 22 anos.
O que ninguém previa é que nem Josué aguentaria até o fim.
Por volta da terceira hora de fala, faltando ainda "uns slides", o faxineiro subiu discretamente ao palanque, pediu licença e fez ao chefe de governo israelense o pedido mais sincero da diplomacia mundial naquela tarde:
Doutor, quando o senhor terminar, apaga a luz e fecha a porta, por gentileza. O interruptor é aquele do lado da bandeira.
Netanyahu, segundo Josué, acenou com a cabeça sem interromper a fala e continuou apontando para um gráfico. "Ele é focado, isso eu tenho que reconhecer", disse o pernambucano.
"Achei que ia ser rapidinho"
Josué conta que entrou no plenário apenas para recolher garrafas plásticas. Quando percebeu o esvaziamento em massa das delegações, ficou sem jeito de sair também e acabou sentando na última fila.
"Eu ia passar o pano ali no corredor, mas aí começou o discurso e eu pensei: deixa eu esperar terminar por educação", relatou, apoiado no cabo do rodo. "Quando eu vi, os embaixadores tudo saindo. Aí sentei."
Seguranças confirmam que, nos últimos 38 minutos antes de Josué também desistir, o plenário estava dividido apenas entre ele, a delegação de Israel, três estagiários que dormiam e o tradutor de árabe, que continuava traduzindo por contrato.
Uma visão completa da geopolítica
Ao longo da tarde, Josué afirma ter desenvolvido "uma visão bem completa da geopolítica da região".
"Olha, eu não sou de opinar. Mas depois de ouvir tudo aquilo, com aqueles mapas coloridos, eu acho que dá pra resolver, sabe? Falta é sentar e conversar. Igual condomínio."
Questionado se concordava com as posições do premiê, foi diplomático: "Ele falou muita coisa. Eu concordei com umas partes e discordei com outras, principalmente a parte em hebraico, que eu não peguei bem. Mas o tom eu entendi."
O limite da paciência pernambucana
A decisão de deixar o plenário, segundo Josué, não foi política. Foi trabalhista.
"Tem outro andar pra limpar, e o crachá bate ponto às seis. Se eu ficar, desconta. E ninguém desconta salário de embaixador que sai, mas do meu descontam."
Funcionários da manutenção confirmam que, na manhã seguinte, as luzes do plenário ainda estavam acesas.
Convite inesperado
Antes da saída, Netanyahu teria descido brevemente do púlpito, cruzado o plenário deserto e cumprimentado pessoalmente o faxineiro, agradecendo pela "atenção sincera de um verdadeiro representante do povo". Josué recebeu um cartão de visitas e um convite não oficial para visitar Jerusalém.
"Falei que ia pensar. Nunca fui pra fora, só até Petrolina. Mas se a passagem for de graça, a gente conversa."
A missão brasileira, que havia se retirado do plenário nos primeiros minutos, tentou incluir Josué na comitiva oficial de volta ao Brasil, alegando que ele agora é "a única testemunha lúcida do episódio". O Itamaraty não respondeu ao pedido de esclarecimento.
Repercussão
Nas redes sociais, Josué virou meme sob a hashtag #FaxineiroDaPaz. Uma petição no Change.org já pede sua indicação ao Nobel — não da Paz, mas da Paciência.
A empresa terceirizada informou que ele será promovido a supervisor de plenário e passará a receber adicional de "exposição prolongada a discursos internacionais", benefício previsto em cláusula que nunca havia sido acionada em 78 anos de ONU.
Um veículo de humor e sátira. Nada aqui deve ser interpretado como notícia factual. Josué Mendonça é personagem fictício.
