Instituto cria categoria “eleitor do mal menor” e descobre que ela é 97% do Brasil

Uma nova rodada de pesquisas mostra Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados num eventual 2º turno — e, coincidentemente, também empatados no posto de mais rejeitados do país. Diante do impasse, o fictício Instituto Menos Pior anunciou hoje uma metodologia revolucionária: parar de perguntar "em quem você vota" e passar a perguntar "de qual dos dois você consegue reclamar menos alto".

Duas mãos hesitam sobre dois botões, um verde e um vermelho, em um painel de votação
Ilustração. Esta reportagem é ficcional e integra uma publicação de sátira.

Segundo a assessoria de imprensa do instituto — que não existe, mas que capturou o espírito da nação com uma precisão suspeita —, a nova categoria de eleitor batizada de "eleitor do mal menor" já responde por 97% da amostra nacional, empatando tecnicamente consigo mesma em qualquer cenário testado.

"A gente perguntava 'você aprova o governo?' e a pessoa suspirava. Perguntava 'você votaria no outro?' e a pessoa suspirava mais alto. Em algum momento decidimos parar de fingir que aquilo era silêncio e começar a medir em decibéis", explicou, em nota, o diretor de pesquisas do instituto, um homem que se recusou a ser citado com nome verdadeiro "por motivos óbvios de sobrevivência em churrasco de família".

A nova margem de erro do levantamento não é mais medida em pontos percentuais, e sim em suspiros — para mais ou para menos. O empate técnico entre os dois principais nomes, segundo o instituto, seria estatisticamente impossível de desfazer, já que qualquer entrevistado que declarasse entusiasmo genuíno por um dos dois foi automaticamente reclassificado como "outlier" e encaminhado para "acompanhamento".

Procurados, especialistas em ciência política reais (esses existem) confirmaram apenas que "empate técnico entre rejeitados" é uma expressão que, tecnicamente, também descreve boa parte das eleições municipais deste país nos últimos vinte anos — e que ninguém tinha coragem de admitir isso até agora.

E se o voto fosse por eliminação de desconforto, e não por convicção?

Diante do sucesso da nova métrica, o Instituto Menos Pior já testa para 2026 uma cédula experimental sem nomes de candidatos — só uma escala de careta, de "leve incômodo" a "vontade de mudar de país por uma semana". Segundo o instituto, os resultados preliminares seriam idênticos aos das urnas de verdade, só que mais honestos com a expressão facial do eleitor.

"No fim das contas", resume a nota do instituto, "não é que o brasileiro não tenha opinião. É que a opinião dele cabe inteira num suspiro — e a nossa margem de erro é a primeira da história a vir com legenda emocional."


Um veículo de humor e sátira. Nada aqui deve ser interpretado como notícia factual.

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